Sábado, Junho 01, 2002


Descobri que eu gosto de dança contemporânea...


Eu continuo construindo castelos de areia no meio desse furacão.


...Só eu para conseguir passar o feriado todo dentro de casa. Acho que eu preciso expandir meu círculo de amizades. haha! Boa piada! Três vivas para o meu estúpido feriado!


De repente foi envolvida por aquele manto negro, achou que ele a havia levado para voar. Mas eram só os cobertores que ele usava para asfixiá-la.


Ficou sofrendo, pobre idiota, sem perceber que era a única pessoa solitária que não conhecia a solidão.


Não queria vícios, ele queria respostas.


"Ela só espera que ele venha tirar-lhe a vida com um beijo. Porque sente que já não é mais possível viver com o conhecimento que possui, sem que enlouqueça."


Ninguém me espera...
Tão inútil.
Quando foi que isso aconteceu?


Não ser só mais uma, isso é o que realmente importa para você. É por isso que você é simplesmente aquilo que te fazem ser.
Remorso, é só remorso.


In the hope I'll forget I'll wait
It's a chance I'll take oh yeah
In the hope I'll forget I'll wait
For the time
In the spring I'll watch my step
While the night-time passes by
When a smile suits me all alone
I'll be fine
There's got to be a better song to sing
Before I hang upon your shoulder
Telling the truth it may be bolder this time
There's got to be a better song to sing
That makes a lonely one less cold oh
Before I hang upon your shoulder and cry
Watching friends playing in the dirt
Feeling hard but felling hurt
By the sadness that wastes my time
It's a crime
There's got to be a better song to sing
Before I hang upon your shoulder
Telling the truth it may be bolder this time
There's got to be a better song to sing
That makes a lonely one less cold oh
Before I hang upon your shoulder and cry
At the gate I'll wave goodbye
To the friends that were my lies
And I'll see them off at dawn
Feeling wise

(Belle&Sebastian- The gate)


O grande mal, é que as pessoas nunca são tratadas como indivíduos, sempre são apenas parte de uma grande massa generalizada.

Sexta-feira, Maio 31, 2002


Minha professora de canto é louca!


A parte mais divertda de ir á um show é observar a manipulação da massa! Muito divertido. Quero manipular todo mundo de cima dum palco um dia!


Izis, obrigada viu?


Acho que essa bagaça aqui tá com a data desregulada.


Gravity, no escaping, gravity
not for free
I fall down
hit the ground
make a heavy sound
every time you seen to come around


Domingo eu estava comendo o sushi que Lívia fez e trouxe para mim. (*balançando os braços freneticamente* sushiiiiiiiiiiii! Brigada bell!) Aí eu passei pela situação mais ridícula que eu ja vi. Bem na hora que eu estava engolindo o camarão minha mãe resolve fazer uma piada, eu começo a rir e consigo engolir errado o camarão. Sabe quando você bebe água pelo nariz? Imaginem isso com o camarão! Sem contar que eu fiquei um tempão para conseguir me livrar do camarão...e ainda fiquei sentindo gosto dele pelo nariz a noite toda...
Duvido que alguém já tenha passado por uma situação mais ridícula e patética do que essa...


Eu estava jogando master com a minha mãe e fiz pra ela a seguinte pergunta: "Que cantor de reagge jamaicano pregava o uso livre da maconha?"
Depois de um tempo pensando, ela vira e me responde com a cara mais lavada do mundo: "Jimi Hendrix!"


É saudade daquele sorriso que só eu pude ver. Aquele que você escondeu de todos, menos de mim. Seu dualismo me fascinou.


E eu nem tinha para onde correr...


Não meu senhor, obrigada, mas já estou acostumada a usar esses casacos. Ainda que eles sejam mais frios que os seus passos.


Queria sair, mas não sabia se queria mostrar sua face para o mundo. Achava que sim, e isso lhe bastou para os próximosvinte minutos.
Abriu a porta e saiu, tantando inutilmente enfrentar sua covardia. Mal haviam se passado dois minutos e ele voltou correndo. Chorava como um bebê, todos aqueles sorrisos o haviam assustado.


-Lá vem você e essas bandas de fim de festa de formatura...Esses caras devem ser uns deprimidos.
- Que isso pai, eles devem ser felizes e ricos em suas mansões.
- É verdade, sempre tem uns suicidas que gostam disso.

Essa é a opinião do meu pai em relação ao rock alternativo...¬¬


- Patrícia, por acaso você está mais triste do que o normal?
- Ué, por que a pergunta?
- Você tá estudando...
- Eu costumo fazer isso ás vezes.
- Na sexta-feira ápós o feriado? Eu disse para você jogar seus pensamentos em algo menos destrutivo, e não para você fugir dos seus problemas...
Putz, minha mãe deve ser a única no mundo que briga com a filha quando ela está estudando.


Me desculpem a falta de vocábulos, mas só merecem um sonoro foda-se! E espero que seja muito bem servido! Tão bem quanto me servem a indiferença. Espero que definhem nessa pseudocrítica em busca da auto-afirmação. Espero mesmo, que morram entupidos em seus elogios e depreciações que trocam uns com os outros.


Sem querer parafrasear ninguém: Eu poderia ir para o outro lado, se não houvessem tantos espelhos.


Ver me pai bêbado em casa na quinta-feira nunca fez parte dos meu planos para o feriado. Pelo menos dessa vez ele não encheu o saco de mais ninguém além de mim, nem tentou bater na minha cadelinha.


Tinha um balde cheio de sonhos, idéias, desejos e sentimentos. Poderia tê-los guardado em garrafas e os colocados na geladeira ou até debaixo da cama, escondê-los do senhor. Mas o senhor foi mais rápido. Pegou meu humilde baldinho, riu de seu conteúdo, foi até a pia e adicionou água. Isso criou uma espuma de bolhas sorridentes, multicoloridas. O senhor sorriu simpático. Virou o balde derramando tudo no chão. No chão do banheiro. E lavou. As bolhas sorridentes multicoloridas agora eram pretas e tristes. E eu vendo tudo da porta do meu quarto. Meu sonhos lavando o chão daquele banheiro imundo e fétido. O senhor, rindo, virou-se para mim e disse: "Esses não eram bons. Eu te darei melhores depois." Mas senhor...esses serão os seus..não os meus.

roubado da Lívia

Quinta-feira, Maio 30, 2002


Existem dias em que a gente esquece de respirar. E só percebe isso quando já está vomitando.


Odeio as palavras especial, única e importante.


Esses vislumbres de memórias deturpadas vão comendo meu estômago.


- Ele não é de fazer isso, não sei o que aconteceu.
Nem eu, só sei que o meu orgulho pôs tudo a perder.


Eu fecho meus olhos e não consigo para de ver você. Eu os abro e não consigo impedir que se fechem denovo.


A falta desse cheiro me dói tanto quanto a presença dele.


Eu não quero sair daqui, para onde eu poderia ir? Não há lugar onde a vergonha não me persiga. Quero acreditar que eu não falei todas aquelas bobagens.


Pode ser que eu invente os espinhos, mas no final das contas eles estão sempre lá. Porque é o meu jardim e eu só crio ervas daninhas. Não tenho o direito de chorar, porque é tudo culpa minha.
E para quem eu contaria essas culpas e todas as coisas idiotas que falei? Não, ninguém entenderia.
Eu não faço parte daqui, me leve embora. E por favor, faça esse cheiro se dissipar.


Parece que não adianta largar os tijolos, é como se voltasse a carregá-los cada vez que te vejo. E eles estão ficando cada vez mais pesados.


Eu não queria ter acordado.


Então o espelho gritou:
- Olhe bem para a sua cara, que espécie de pessoa gostaria de você? Oras, faça-me o favor!


- Vai passar, meu bem, já vai passar...
E foi ouvindo isso que ela morreu.


Tenho que acordar, tenho que acordar. Mas esse pesadelo não acaba nunca.


E eu continuo acreditando nas mentiras que nunca foram declamadas.


Se eu tivesse pulado, eu poderia até ter acertado. Mas certamente eu teria atravessado aqueles braços de ilusão e caído na grama. Exatamente como os bêbados suicidas.


Mas são coisas da minha cabeça, ele nem se importa. A última que morre não é a esperança, é a ingenuidade.


Era só aquele cheiro sim, que ficava entre o amargo e o doce, entre o agradável e o impertinente.


Na primeira vez, ele me induziu. Na segunda, quis fazer o mesmo. Malditos fios de falsos moralismos, acho que ainda vou me enforcar com ele.


Com licença, vou bater a cabeça na parede repetidas vezes e já volto.


Ás vezes se vive melhor na ignorância.


E não me pergunte dos meus sonhos, eles se exilaram em alguma terra perdida. Deve ter sido na terra de onde dizem que eu vim, a da ingenuidade.


Tenho meia dúzia de histórias cotidianas para contar, como o caso do camarão no nariz, das respostas bizarras da minhas mãe e das aranhas gigantes carnavalescas usando calças. Mas não hoje, por favor, não hoje.

Domingo, Maio 26, 2002


Maldito tempo que não pode voltar. No presente, sou engolida por arrependimentos, de coisas feitas e de coisas não feitas. Vou carregando minha vida nostálgica.


Pergunta do questionário via e-mail: "Qual o seu dedo favorito?"
Resposta da Lívia: "O do meio, pra enfiar no seu cú!"

Depois eu que sou tosca...


A noite estava estranha, mas não voltava, não, nada voltava, nunca voltava. Era só ele me caçando. O tempo passou, mais ainda guardo as mesmas marcas de você, como se fossem recentes.
Sempre quis comer um arco-íris, mas parece que eles são doces demais para o meu paladar. Sempre me contentei com as estrelas, piscando infames para mim.


Jazia ali no chão já há dois dias, ninguém viera buscá-la, ninguém viera socorrê-la. Foi quado ele entrou no quarto e um cheiro quase insuportável guiou seus olhos para o canto.
Viu aqueles lábios inertes, os olhos vazios, o corpo mole grudado no chão. Viu também o sórdido papel de parede com seus palhaços encardidos. E o palhaço rodopiava em volta do corpo, rodopiava e dançava em frenesi, escarrava na cara dela e sorria, pisava a moleza dos membros com alegria. Sua música era o estalar dos olhos se quebrando, seus aplausos eram a visão do corpo sujo, eram as paredes que sangravam flores.
Ele, então, percebeu horrorizado que ela estava viva. Apesar de tudo, ela estava viva! Céus, moscas pousavam dentro de seus olhos mas ela estava viva! Com os olhos turvo ele gritou:
- Então por quê? Por que deixa que façam isso?
Não ouve alteração, nem no corpo, nem no palhaço, nem em nada. Ele permaneceu fitando os olhos vazios e opacos dela. De repente, virou-se e correu, porque teve medo dela.


Assisti um filme chamado Koyaanisqast (espero ter acertado o nome...=p). Putz, muito bom o filme, não tem história nem diálogo, são só associações de imagens e músicas. O filme consegue mostrar como a vida dos seres-humanos é programada e mecânica só com isso.