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Quarta-feira, Junho 19, 2002
É impressionante a minha capacidade de inventar milhões de coisas para fazer, quando eu não tenho tempo nem para fazer as coisas triviais.
Eu sou tão inútil para cuidar das coisas que até meu cacto morreu. Detalhe, morreu seco, ainda se fosse afogado...
"Pec...Pec...Pec"
Acordou assustada.
"Pec...Pec...Pec"
Eram passos ecoando.
"Pec...Pec...Pec"
Corriam para a varanda.
"Pec...Pec...Pec"
Ela virou para o lado e voltou a dormir.
"Pec...Pec...Pec"
Era a sua vida indo embora.
Ando meio sem tempo para escrever aqui, as provas de final de semestre começam no sábado e eu tenho trinta milhões de coisas pendentes para resolver. Depois do dia vinte e sete eu voltarei a ser a menina normal e ociosa de todos os dias.
Segunda-feira, Junho 17, 2002
Esqueci de mencionar lá embaixo que o Rick Martin japonês cantou Living la vida loca em japonês...¬¬
hahaha! Lívia, o meu personagem de anime ideal é o hotohori.
É, eu ando com uma falta do que fazer desgraçada, por isso que fico fazendo esses testes.
Eu fiz o teste "que personagem de Lain é você". Oras bolas, eu sou a Lain. ¬¬
Meu comentário de hoje: "A vida é uma grande salada...ou um grande swing"
Mais uma coisa bizarra que se vê em Brasília:
O Pão de Açucar fez uma bandeira do brasil empilhando latinha coloridas...
O pior é que, a medida que as pessoas vão comprando, a bandeira vai ficando desfalcada.
Para o inferno você! Inevitavelmente, a gente se encontra...O que me assusta é não saber se isso é bom ou ruim, ela também deve ir, não que mereça, só para ficar perto de você. Eu vou continuar no meio dessa palhaçada, então me deixem ir para lá antes, assim me livro por uns tempos.
Certo, uma perdedora de voz grandiosa, mas ainda assim uma perdedora.
Um cigarro seria ótimo, se eu não tivesse parado de fumar.
Qualquer um podia ver que os dois se amavam. Exceto eu, por não saber o que significa, e eles, por terem medo de já ser tarde demais. E fui eu quem acabou jogada no meio dos dois, eu que nunca tive nada a ver com essa história louca!
- Vá!
- Ir? Para onde?
- Oras, lá para fora!
- E o senhor já foi lá?
- Eu?...É...Bem, claro que já.
- Então, deveria saber que não há nada lá.
- Que absurdo é esse agora, menino?
- Não é absurdo não, moço, você me ensinou isso e agora quer se livrar de mim.
- Deixa disso garoto, vai dar uma volta.
- Sair? Eu não quero sair, tenho medo, medo de ver as coisas que o senhor disse que me fariam mal.
- Pois pare de me amolar!
O velho o empurrou para fora, ele se debatia mas só pôde ouvir a porta sendo trancada atrás de si.
Por dias e dias o garoto, jogado no vazio, chorou, rangeu os dentes, chutou a porta, sangrou as mãos. Mas o velho não abriu a porta denovo. Sentou-se ali fora, veio o inverno e congelou suas lágrimas e o timbre oco dos seus gritos. Nada passava por aquelas ruas gélidas, ninguém para ver o vermelho das suas mãos desvirginar a neve. Vindo de lá de dentro, ele podia ouvir o sono tranquilo do velho.
Aconteceu de passar por ali uma senhora que, vendo um garoto tão cheio de futuros numa situação tão deplorável, disse:
- Olha, meu garoto, vê a vida em volta, percebe como é grande aqui fora, quantas coisas que podes aprender! Levanta e vai em busca de novos anseios.
- Não, senhora, pode ficar com a beleza do mundo, com a complexidade das pessoas, com as experiências maduras. Eu só queria a segurança da minha ilusão que ele destruiu. Eu não sabia, mas já estava perdido antes mesmo de ser expulso daquela casa.
Domingo, Junho 16, 2002
Eu quero ir embora, quero fingir que as coisas nunca aconteceram e que eu nunca fui uma idiota. E por que não? O que haveria de ordinário nisso? Não, eu não quero ouvir ninguém, eu não quero ouvir nada, hoje eu só quero ficar estagnada com a minha igenuidade quebrada boiando nos meus olhos. Eu queria que as minhas mãos congeladas fossem capazes de te acertar um soco agora, mas nao sei se elas teriam coragem. Tenho raiva sim, só que não é de você, é de mim.
É só que me frustra ter que largar esses tijolos aqui, é que eu queria jogá-los bem encima da sua cabeça...Eu precisava rir um pouco de você.
Às vezes se esquece de respirar. Às vezes se torna frequente o esquecimento. E quem acaba sendo devorado é o estômago.
Eu estava andando com a Lívia na festa junina quando escuto o que dois caras que estavam apontando para mim diziam:
- Olha aquela menina, mó cara de esquizofrênica, né?
- É!
¬¬ Eu não tenho cara de esquizofrênica.
Que coisa, aquela frase nunca foi para mim e nunca teve motivos para ser.
Ele precisava se despedir de alguém e certamente não era de mim, ele nunca se preocupou em dizer adeus para mim. Ele podia morrer.
Se ela é gorda eu também sou. ¬¬
Meu umbigo está inflamando, muito bom patrícia, não faz o que tem que fazer.
Conversas bizarras de internet:
Fulano: - Você tem umas palavras muito difíceis.
Eu: - Tenho não
Fulano: - Só quer ser a bunitona da bala chica.
Eu: *cri cri*
Detalhe, as palavras difíceis as quais ele estava se referindo eram: abstrata e subjetiva. Realmente são palavras muito difíceis...¬¬
É, eu ando sem criatividade, acho que deu para notar. Estar em casa no domingo a noite sendo que eu não terei aula amanhã não ajuda a resolver isso. Credo, eu deveria procurar um psicólogo para descobrir o porque dessa minha neura de diversão noturna.
Propagandas que merecem entrar para campanha:
- No caminho para taguatinga tem uma propaganda de motel que mostra uma foto do Bin Laden ao lado da foto de um avião tatuado na bunda duma mulher, logo acima é possível observar os seguintes dizeres: "Bin, Bin, deixa disso, vem pilotar este avião!"
- Ainda no caminho para taguatinga, pode se reparar na churrascaria "Búfallo Bio"
- A propaganda da Expotchê consegue ser ainda mais sem senso de noção, trata-se de uma mulher loira indo fazer uma tatuagem. Durante o procedimento ela morde os lábios e revira os olhos como se estivesse tendo orgasmos múltiplos, depois nos é revelado o desenho da tatuagem: um coração com um chimarrão dentro.
Agora alguém me responda: Cadê o senso de noção?
Aliás, na festa do clube Nipo, estávamos três pessoas entediadas depois de uma fatigante busca pelo yakissoba, eu,
Lívia e o Victor. Resolvemos nos sentar na arquibancada para comer, o palco onde estava tendo o forró se encontrava debaixo de uma lona de circo, e por acaso nós nos sentamos bem em frente a um dos fios que prendia a lona no chão. A quantidade de pessoas que tropeçavam era impressionante! Começamos a fazer olas para elas, quando caía mais de uma elas também recebiam palmas. Depois de um tempo as pessoas foram se tornando mais cuidadosas e nós começamos a fazer com que elas se distraíssem e caíssem, essa se tornou nossa diversão por quase uma hora, ou mais. É, nós não temos senso de noção.
Coisas bizarras que acontecem em Brasília:
- Festa junina no clube Nipo, onde coexistem no mesmo ambiente coisas como: yakissoba, milho verde, forró e karaoke.
- Cara cantando no karaoke "Living la vida loca" do Ricky Martin (sei lá se é assim que escreve), e ser chamado de Ricky Martin japonês.
- Quase atropelar um amigo seu em plena W3 por volta da meia noite.
- Encontrar toda a cidade na tal festa junina do clube Nipo, como se não houvesse mais nada para se fazer num sábado a noite.
- Ver um senhor sair de um restaurante por volta de meia noite e meia, com uma garrafa numa mão e um capacete na outra, atravessar a rua rodando e gritando uhuuuuuu.
Chutava as cabeças para o canto, assim formava a sua mórbida escultura. Até que garras de rubi arrancaram seus pés e ele tornou-se parte da pirâmide.
Se eu pudesse me desprender das minhas correntes, adoraria ser aprisionada pelas suas, ainda que fosse só para assistir as coisas nefandas que você faz.
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