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Sábado, Julho 13, 2002
Em dias assim, parece que chovem cinzas de cigarro do céu e não existem lugares onde seja possível esconder-se do sol. É quase como se o mundo fosse despencar encima de você quando, na verdade, é você quem despenca.
Eu e ela estamos fazendo o ranque racista do desempenho sexual.
"Para a discriminação atuar em todos os setores de nossas vidas."
Os poemas dela andam melhores do que já eram.
Tem dias que sinto como se não fosse mim mesma.
Tava dando erro é? *tapada*
Invadindo blog alheio para manuntenção
Vejo que não era só no meu blog que aparecia o erro grotesco.
Pata, se tava dando erro, não tá mais. =*
Alguém quer me vender uma par de ombros?
Eu queria que o avião tivesse caído.
Odeio esse lugar, as pessoas fazem com que eu realmente me sinta um nada.
Quinta-feira, Julho 11, 2002
Me chamaram de giganta, oras eu nem sou tão alta. Além disso também fui chamada de nerd...¬¬ E de gótica, mas a isso acho que já estou acostumada...
Todo mundo resolveu falar de primeiros beijos, eu não lembro do meu, me sinto insensível. Que paradoxo.
"Love will tear us apart"
Era uma menina que amava flores, dizia que elas eram beleza, vida e alegria. Pena que foi assassinada e, ao lado do caixão contendo o corpo desfigurado pela brutalidade, haviam inúmeras flores, contrariando todas as suas certezas.
Xô mulherengos, para longe de mim! E nem adianta me provocar, dizem que eu sou insensível.
Eu estava conversando com uma amiga, dizendo que eu ia para São Paulo esse mês (ia, não vou mais), ela disse que eu em São Paulo fazia ela se lembrar de "sheep na cidade grande"...Putz, eu devo ser muito jeca mesmo.
A Lívia foi para Animecon...=~
Bem vindo a Brasília (coisas bizarras e surreais que se vê por aqui):
Locutor da rádio Atividade no Pier 21 cobrindo alguma coisa de forró que estava acontecendo por lá (eu inclusive cruzei com a Elba Ramalho...Nem gosto dela) :
"ô lôrinha,
não sabe o gosto que a morena tem,
então pinta o cabelo
e descubra você também"
Eu preciso de madrugadas, bares, música alta e companhias divertidas de conhecidos e desconhecidos. Eu posso me contentar com muito pouco, essa neura de diversão noturna é que me mata.
"sua vida é útil pra mim
a minha pra vc
mas não fazemos nada considerado
útil
sei lá
somos inúteis pros outros
úteis pra gente"
Conversas de icq. É por isso que eu te amo.
E sou incapaz de jogar com você, porque eu preciso sempre ganhar. Essa necessidade faz de você o vencedor antes mesmo de começarmos o jogo.
Ele está cheio com sua solidão e isso começa a lhe rasgar as vísceras. Vai correr e atravessar a janela, porque se sente tão bem que se julga capaz de voar. É um sorriso grandioso demais para prender-se a vida.
É o garoto na janela, tocando com os olhos a mesma melodia de sempre, os lábios dançando palavras com o vento. Só podia ser culpa daquele verão, que parecia ser ensolarado demais para ele.
Mas que nefando segredo é o que guardam aquelas feições? Quão asqueroso poderia ser um ato, para que não merecesse ser citado? Não podem ser as marcas de narcóticos em seus braços, elas não passam de meros vícios, não são segredos. Talvez sejam suas enormes olheiras arroxeadas, que me fazem pensar no que pode ser capaz de lhe tirar tantas noites de sono.
O sino cor-de-rosa começa a tocar acima da sua cabeça, só que seus olhos não se abalam e continuam a catarolar solitários. Ele se ausenta da janela por breves momentos, me permitindo a visão dos mórbidos objetos de decoração.
Ah, podem dizer o que bem entenderem, mas para mim eles estão vivos, cada um deles me fitando conta uma história triste e sofrida. Especialmente aqueles bonecos pendurados em anzóis lá atrás, se parecem tanto com ele que chego a pensar que um dia, juntos, formaram uma família. Talvez seu segredo seja uma mórbida obsessão por colecionar cadáveres sorridentes.
Eu sei que amanhã haverá um novo enfeite, como acontecem todos os dias, e o garoto estará na sua janela, esperando o verão se esvair de forma lenta e gasta. Talvez eu tenha me enganado e ele não possua segredos, só rotinas.
Ele a tocou,
mas havia tanto sangua em sua mente.
Ele a tocou,
mas seus sorrisos estavam cheios de pólvora.
Ele a tocou,
mas seus dentes estavam afiados de ódio.
Ela o decepou,
para que nunca mais a tocasse.
Pisava sim e não sentia o menor repúdio de si mesma.
Pisava e nada a fazia parar,
nem os ossos estalando,
nem o sangue correndo,
nem os gritos cortando,
tão pouco as lágrimas caindo.
Pisava e sentia orgulho do que fazia.
Pisava e se tornava a mais altiva das criaturas.
Mesmo assim, não percebia.
O que pisava nunca passou de um espelho.
Uma realidade que obriga suas crianças a cheirarem cola nas ruas não tem o que celebrar e ignorá-la não é mais do que hipocrisia.
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