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Sexta-feira, Outubro 25, 2002
"Crazy, over the rainbow I'm crazy."
The trial é simplesmente genial.
Quero meus cigarros de volta. Todos eles.
Eu não quero ser, entende? Quero não ser, deixar de existir.
-Então você vem aqui e apaga.
-E para onde vai isso que foi apagado?
-Ah, vai para a lixeira!
-E o que eu faço?
-Vai lá e apaga denovo.
-E o que acontece?
-Nada ué, deixa de existir.
-Como assim, simplesmente deixa de existir? Como isso pode acontecer? E todas as informações e palavras que estavam lá?
-Deixam de existir oras.
-Mas não pode! Para onde vão as coisas quando deixam de existir?
-Desiste, você é filosófica demais!
Acho que eu estou começando a descobrir como se morre de confusão.
Tudo parecia me julgar, as árvores, o céu, as formigas. Pareciam querer me esmagar.
Tateou às cegas procurando pelos cacos dos espelhos que havia quebrado. E ficou lá, sangrando sozinha no escuro.
Quarta-feira, Outubro 23, 2002
-Patrícia, eu preciso ver meu e-mail.
-Tem que ser agora?
-Tá fazendo alguma coisa importante?
-Tentando entender todo o cenário econômico da Suíça...
-Então sai daí que eu preciso ver o e-mail que minha namorada mandou.
-¬¬'
*família solidária*
Eu resolvi que também vou aderir ao PQG (Projeto Quero ser Gente), mas acho que jamais conseguirei ser gente.
Não lembro se postei que há um tempo atrás dei os dólares que sobraram da minha odiada viagem à Disney, quando eu tinha 10 anos, para o meu primo (que foi para os EUA visitar o pai) ver se comprava um gamecube para mim. Após um mês fazendo figuinha eu tenho em mãos meu Gamecube + Eternal Darkness.
Já sou uma pessoa plena e realizada.

Encontrou-se com ela, que o recebeu e saudou com um sorriso. Não pôde evitar a vontade que reve de sair correndo, antes ela o tivesse ignorado! Mas havia crescido. Não, essa não seria a maneira correta de definir, ela simplesmente se havia aquietado, não precisava mais lidar com o que não sabia. Já quanto a ele, pobrezinho, nada havia mudado, por mais que tentasse. Algumas pessoas estão fadadas a viver para sempre aquilo que não escolheram se tornar. Mas estou querendo fazer com que o ocorrido tome maior importância do que teve. Aquilo não era assim tão importante para ele, na verdade era o menor pedaço do que nunca quis se tornar. Mas sabe como dizem, às vezes as coisas transbordam por causa de uma gota, mas já estou eu com minhas frases feitas, fugindo do assunto de novo.
Voltemos então para um pouco antes do sorriso besta. É claro que ele a havia visto e tentou fingir que não estava lá, mas seus ouvidos não puderam ignorar aquela voz íntima e nada familiar que lhe chamava. Aproximou-se retraído, os olhos tortos tentando fugir do sorriso que tanto o fascinava. Inútil esforço de olhos cansados! Não poderia jamais ignorar a obscuridade daqueles lábios sinceros. Sim, sinceros, pela primeira vez! Então seguiu-se um pequeno diálogo de formalidades.
Também não podia evitar o rubor, nem os abraços fraternos e singelos, os toques agora censurados pelas circunstâncias.
Seus olhos (ah, o clichê!) estavam perdidos nos dela, ele lia atentamente cada movimento e foi com certo remorso que percebeu que ela não era mais sua, não era! Repetia para si mesmo o quanto aqueles olhos estavam livres agora e o pesar de ver aquele sorriso se gastando a toa para qualquer um, aquele sorriso que era só seu! Aqueles olhos que ele havia escravizado em troca da prisão dos seus próprios.
Não, não era mais sua, não tinha mais mudas promessas suplicantes, não tinha mais desafios. É bem verdade que talvez nunca tenha sido sua.
Alegou um atraso e foi embora com o remorso pesando-lhe as pernas. Mas era como se aquele instante nunca houvesse acontecido.
(Para a Luísa, que dizia gostar dos meus escritos piegas.)
Parou e olhou para todos aqueles livros antes de conhecimentos tão vastos que agora lhe pareciam vazios e insossos. De nada mais lhe adiantavam, de utilidade alguma lhe serviam tantos livros, palavras soltas, perdidas, imortais, traiçoeiras. Incertezas, é o que são, apenas incertezas.
Seus olhos que não devoravam mais letras, o que faria com todo aquele conhecimento sobre incertezas que nem chegariam a pesar no final? Mas o que era o final? Não queria mais saber de livros e intelectualidades, as traças que fizessem bom proveito. Porque talvez não houvesse nada, talvez tudo não passe de um equívoco pretensioso de coincidências batidas.
Mas se já não lhe importavam as ciências, tão pouco havia tomado o rumo das sentimentalidades humanas, da espiritualidade fugídia, das profundezas da alma. Mas o que era a alma? Todas essas questões eram também incertas, tanto quanto as que podiam ser provadas. Não pensava na loucura, oras, não sabia o que era o pensar ou a própria loucura, simplesmente não faria sentido julgar-se desse jeito. Mas o que era o sentido no meio de tudo isso? De repente (mas o que era a linearidade do tempo?) não havia mais nada que se pudesse provar.
Incerto, havia um excesso desse vocábulo que, ao se afirmar a incerteza das coisas que não existiam mais, criava um paradoxo com seu significado. Se é que ainda havia espaço para significados, vocábulos e paradoxos. Sendo assim só restaria o nada, mas o que era o nada mesmo? Talvez o equívoco pretensioso de coincidências batidas, talvez o paradoxo das afirmações que não podiam ser afirmadas por serem incertas, talvez simplesmente o nada, talvez o círculo vicioso?
E poderia ter continuado com o confuso e enfastiante monólogo interno por todo o tempo que lhe restasse, mas o que era o tempo? Começava então a se parecer com aqueles livros, se é que havia começo.
¬¬
Para variar o Blog dá palas e se recusa a postar...Eu adoro isso.
Bem-vindo à Brasília (coisas surreais que acontecem por aqui):
Graças a minha professora de canto eu consegui assistir Madame Butterfly de graça na segunda-feira, ao descer na rodoviária dou de cara com o sugoi e então coisas bizarras começaram a acontecer. Estava subindo a escada rolante quando percebo que estou cercada por uma passeata pró-roriz com alguns petistas perdidos grudando adesivos encima de mim, uma pequena guerra vermelha e azul. Com grande esforço consigo me salvar dali e espero cerca de dez minutos para surgir uma brecha na pista para que eu possa atrvessar a rua, eis que surge um trio elétrico do Roriz empecilhando a passagem e lá fico eu mais dez minutos esperando outra brecha. Finalmente cheguei no teatro e estava esperando tranquilamente enquanto minha professora ia pegar os ingressos, então um simpático senhor que devia ter no mínimo uns 50 anos começa a conversar comigo. Após uma conversa altamente cult-intelectualizada sobre o cenário artístico-cultural de Brasília o cara resolve me assediar! Não tenho nada contra homens mais velhos, mas se bobear aquele cara podia ser meu avô! Cadê o senso de noção dessas pessoas? Eu devo ser realmente decadente.
Depois disso eu pude apreciar razoavelmente bem a ópera apesar do velho asmático sentado do meu lado. No início eu me preocupei achando que ele fosse ter treco e morrer ali mesmo, depois eu desejei ardentemente que isso acontecesse.
Começo a achar que eu devo funcionar como uma espécie de imã para situações bizarras.
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