Sábado, Fevereiro 08, 2003


Eu odeio ficar doente.

(comentário inútil)


Estou correndo, só que não tenho aonde chegar.

Sexta-feira, Fevereiro 07, 2003


Eu não quero que a delicadeza me caia bem. Não quero nada que me faça precisar de outra proteção que não a minha.


O espelho me abraçou, dizendo palavras doces:
- Gosto de você quando fica assim, quietinha, sem gritos, palavras duras e reflexões. Quando não pensa, não faz, não diz.
Continuei daquele jeito, como a boneca quebrada que reconhece que seu lugar não é entre as outras, com o cabelo escondendo suas imperfeições, as roupas de renda rasgadas, o rosto sem cor disforme. Como quem vem com defeito de fábrica, tão esquisito que não serve para nada, como o grotesco escondido no fundo da estante, temendo ser visto. O espelho continuava seus dizeres:
- Gosto de você quando não é você.


Eu não tenho demônios, eu sou meus demônios. Como poderia, então, exorcizá-los?


Eu vejo você deitada, seus lindos anseios coloridos caídos no chão, abandonados sem propósito por falta de oportunidade. Sim, eu vejo as lágrimas caindo dos seus olhos e elas me perguntam por que, o egoísmo não me deixa saber em quem elas doem mais. Eu sei, porque também me sinto assim às vezes, mas com você não deveria ser assim, não deveria acontecer. Desculpe se eu não te amei o suficiente.

Quarta-feira, Fevereiro 05, 2003


Eu sempre fico doente nas primeira semana da volta as aulas, desde pequena isso acontece. Deve ser alguma doença estranha que me acomete, o mal dos preguiçosos ou algo assim.


Quem vê beleza demais já ficou cego.


Por tempos eu gritei e meus gritos todos ecoaram em vão no escuro da apertada cova. Os deuses sabem o quanto da minha frágil voz foi gasta por nada, ninguém ouvia meus apelos, por mais noites e dias consecutivos que eu gritasse, ninguém vinha em socorro. Estavam todos assustados porque não entendiam meus dizeres e, como falou certa vez alguém que fingiu estender-me as mãos, "é assim que se elimina o desconhecido." Nunca entendi muito bem, mas meus gritos me ensinaram que o que é temido deve ser eliminado e, certamente, o desconhecido está entre as coisas mais temidas, bem ali, ao lado da verdade.
Se o socorro não vinha a solidão se regozijou com o vazio da cova rasa e em pouco tempo consumiu minha sanidade que, acuada, não tinha para onde fugir. Foi por causa da solidão, essa monstra, que aceitei o destino que me foi entregue. Ela foi, por tempo indeterminado, minha única companhia, visto que me fizera desistir da humilhação dos gritos. Não foi mais interessante com ela do que sem mas isso pouco me importava e não era tão ruim, até nos dávamos bem.
Então vieram aqueles intrometidos, filhos da idade moderna, com suas mãozinhas sempre limpas e promessas de liberdade. Se soubessem quanta sujeira havia do seu lado jamais ousariam falar da liberdade. Alguns, mais temerosos, apenas estenderam a mão, sem coragem para encarar o que havia dentro. Destes, arranquei os dedos todos e, pela primeira vez, comi. Meu corpo foi invadido por uma sensação até então desconhecida e decidi que queria sair dali. Não demorou muito a vir uns mais corajoso que ao me libertarem encararam-me a fim de desmistificar antiguidades, nunca, antes disso, me tinha sido permitido enxergar rostos. Gravei as faces, os matei e comi, só por raiva.
Em pouco começaram a me caçar, ao menos não vivia mais no anonimato. Deixei-me capturar e voltei a antiga escuridão, minha outra velha amiga, solidão, também me rondava e costumávamos travar longas conversas que duravam períodos incontáveis de anos. Eu viva repetindo a ela que queria sair dali, então todos saberiam quem sou de verdade e o medo sujaria suas mãos elitistas. Aqueles idiotas, murmurava eu, não perceberam que eu queria arrancar as tampas com minhas próprias mãos. É pena que, dessa vez, enterraram-me no mármore. Então entendi as palavras do fingidor.


Vejam aqui o que os professores do Marista andam dizendo...

Terça-feira, Fevereiro 04, 2003


Hoje me deixe aqui, quietinha no canto. Se chegar perto eu atiro.


Ando meio sem tempo...


Não entendo a capacidade humana de superestimar pequenos eventos.

Domingo, Fevereiro 02, 2003


"I know everybody is gonna put me down"


Eu estou perdendo meu tempo para não perder o seu.


Beirar o despero denovo é pular e sair gargalhando, sem notar que o corpo morto ao lado era o seu. Escarnecer da própria desgraça sem lembrar de tê-la construído. Afogar em hipocrisia, porque as culpas já endureceram.


"Voa para bem longe, para onde precisar voar.
Mas por favor, prometa
Prometa que vai voltar."


(Roubado sem pudores do Pensamentos destoados pela antítese.


Com todas as outras pessoas já não é a mesma coisa, nunca voltará a ser. Será assim conosco também? Porque eu não quero que seja, nunca quis.


Adoro ser evitada.


Quanto mais a unb enche meu irmão de coisas para fazer menos tempo eu tenho para usar o computador. É isso que dá so ter um computador com internet em casa...¬¬