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Sexta-feira, Fevereiro 14, 2003
Arrombei as portas
e roubei seus símbolos,
com minhas frases tortas
deturpei seus hinos.
Como posso eu,
templo tão profano
de tudo que é meu,
servir para o sagrado?
Quarta-feira, Fevereiro 12, 2003
Eu morri uma morte tão bonita para quê? Foi só para acordar e descobrir que ainda estou viva?
Depois ninguém acredita quando eu digo que não sou má...
Uma ferida para cada mentira, a maneira mais fácil de morrer.
Meus pés cansado,
inchados, quebrados,
as mãos caídas,
sobre os olhos opacos,
a mudez dos gritos,
sempre assustados,
esmagam a dor
de socorros acuados.
Preparei um verso
para te dedicar.
Se não o pude, querido,
é porque no meu verso
não havia uma janela
para o amar.
E parece que você me chama, com a voz frágil de melancolias. Chora? Canta? Não sei, é só meu pensamento que finge. Mas não vá embora, não desligue o meu ar que é o mesmo que sai da sua garganta. Por favor não se cale, não deixe morrer a ilusão. O silêncio me fura os tímpanos e só suas tristezas verdes me salvam.
Ela olhou para o coelho que olhava tristemente para o valioso relógio de bolso, enquanto permanecia sentado no tronco.
- O senhor não tem mais pressa?
- É tarde Alice, - suspirou ele - tão tarde que a rainha já foi enterrada. E com tantos corações que já nem se pode mais atravessar o espelho.
Sinto falta da falta da ausência.
De tudo que pertence aos outros mas não a mim.
Sinto falta de não ser incompleta.
De não precisar do que precisam todos.
Sinto falta da beleza da falta.
Da lacuna que nunca fez parte de mim.
Sinto falta do vazio.
Do espaço em branco que não me consome.
Sinto falta. - Tanta falta!
Do que impede que esse cheio me desfaça.
Domingo, Fevereiro 09, 2003
Ninguém sabe porque, ninguém quer saber. A sua vida foi curta demais para ser entendida.
Desculpe te enganar assim, tão despudoradamente, sinto muito por todas as minhas incosequências torpes. Não há desculpa para tudo isso, não importa quantas vezes eu peça perdão, humilhando tão bruscamente o meu orgulho.
Espero que encontre algo que te console visto que os meus braços, esses leprosos, não estarão lá.
O relógio cantava cinco e meia.
"E eu com esses números?"- diziam as caixas de som.
Não sei, querida, não sei.
O relógio gritava seis horas.
O silêncio, urravam as caixas de som.
Me deixa, loucura, me deixa.
Ela relutava. "Te amo", dizia.
Me deixa, pensava eu enquanto cortava artérias.
Não posso, dizia ela enquanto lambia o meu pescoço.
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