De Vontades
Analia nem sempre tem vontades, mas não sabe como explicar isso. Às vezes Analia se entrega a uma espécie de apatia da qual só consegue escapar fazendo amor. Ou pelo menos é isso que os outro pensam. Analia não entende essa coisa de fazer amor, ela acha que amor não se faz, amor se sente. E Analia sente amor o tempo todo, a cada nova possibilidade, a cada novo desconhecido que lhe cruza o caminho. Ela não sabe explicar o que é viver dessa arte de amar a tantos ao mesmo tempo e se ressente. Se ressente de ter tantas vontades com o novo e uma espécie de doçura juvenil com o que já tem. Analia só se deita com ferocidade no desconhecido e se sacia inteira até o dia seguinte, quando o ventre lateja pedindo mais e o estômago aperta pensando em paixão, só para depois desapertar no tédio. A verdade é que Analia faz casa em poucos e amansa de um jeito que não queria, não é justo. E na doçura às vezes redescobre amor. Analia não acha que a vida deveria ser feita de escolhas, é egoísmo dos mais vis que alguém a queira só para si.